Associação Brasileira de Imprensa sai em defesa de Omar Aziz e critica postura das Forças Armadas

Comandantes acusaram o presidente da CPI de promover ataque e generalizar casos de corrupção entre militares

O senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Pedro França/Agência Senado

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A Associação Brasileira de Imprensa manifestou apoio ao presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM), após as Forças Armadas o acusarem de ataque e de generalizar esquemas de corrupção entre os militares. Em nota, a ABI afirmou ser “lamentável” a manifestação dos comandantes e a entendeu como “uma tentativa de intimidar a CPI da pandemia”.

“Note-se que não houve qualquer acusação às Forças Armadas em si. Surgiram apenas nomes de militares isolados e nem mesmo eles foram acusados por Aziz. Simplesmente depoimentos de terceiros trouxeram seus nomes à baila. Como era lógico, a CPI considerou conveniente convocá-los para depor. Foi o que bastou para que os chefes militares se alvoroçassem”, traz um trecho da nota.

Ainda no comunicado, a associação relembra a importância das Forças Armadas como instituições de Estado. “Não interessa a qualquer brasileiro vê-las enxovalhadas. Mas é preciso que se dêem ao respeito. Ou elas próprias estarão contribuindo para o seu desgaste”, completa.

A ABI também criticou a postura de militares diante fatos que se desdobraram durante o governo Bolsonaro, como a participação do general Pazuello, ex-ministro da Saúde, em ato político ao lado do presidente. “Não é razoável por exemplo, que, diante da constatação de que o general Eduardo Pazuello participou de um ato político em apoio a Jair Bolsonaro, o Exército aceite a versão de que aquilo não passou de um passeio de motocicleta.”

E reforçou a importância da apuração dos fatos que vem surgindo à luz da CPI e da possível responsabilização de quem tenha cometido atos de corrupção, sejam militares ou civis. Segundo a associação, a demora na aquisição de vacinas não foi fruto apenas de incompetência. “Foi um artifício para, depois, numa situação emergencial, negociar a preços superfaturados com outros fabricantes, com quem se tinha esquemas de corrupção. Por isso o atraso na aquisição de vacinas. Este crime contribuiu para a morte de mais de meio milhão de brasileiros. Assim, num momento em que, talvez por corporativismo, os chefes militares tentam intimidar o senador Aziz, todos os que defendem a lisura em relação à coisa pública devem se solidarizar com ele.”

 


 

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