Lobo à espreita

Talvez seja apressado deduzir uma influência de Putin nas nossas eleições, mas

Surpresa: o embaixador fala coisa com coisa - Imagem: Evan Scheneider/ONU

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A agressão de Vladimir Putin à república ucraniana me leva de imediato a duas conclusões: primeira, já não se fazem guerras como antigamente; segunda, Putin é menos astuto do que ele próprio supõe. Mas a verdade fica mais embaixo. Está sendo ­disputada uma nova forma de divisão política do mundo e dos papéis a caberem aos protagonistas. A guerra, de todo modo, causa os seus estragos e o mais vistoso é a fuga da população ucraniana para os cantos menos vulneráveis do que o seu país.

Chamam a Europa de Velho Mundo, mas ainda é o recanto das ideias e dos eventos de maior repercussão. Por isso, o fantasma da guerra passa a ser encarado como risco total além das fronteiras continentais. De todo modo, transparece a incerteza a dominar agressor e agredidos.

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1 comentário

PAULO SERGIO CORDEIRO SANTOS 4 de março de 2022 14h42
Eu penso que Lula foi um pouco infeliz na sua fala de defesa da paz entre Ucrânia e Rússia. Se esquece o ex e provável futuro presidente Lula que quem fez a provocação foram EUA, OTAN e mídia orquestrada em relação a Rússia, em insinuar que a Ucrânia entre na OTAN, onde certamente posteriormente teria ogivas apontadas para Moscou, nada que o Tio Sam gostaria se Cuba ou México se aliassem a Moscou com arsenais bélicos atômicos. Putin pode ter calculado mal, mas não teve outra saída, ou invadia a Ucrânia ou aceitaria passivamente o inimigo crescer as suas barbas e o imperialismo estadunidense se insinuar na vizinhança, sem falar em relação a China. O crescimento do presidente do Brasil nas pesquisas eleitorais, se deve um pouco ao comportamento do petista no seu discurso paz e amor sem uma reflexão da mídia e do império americano que tanto tramou na história do mundo, inclusive no Brasil, em 1964 e no golpe de 2016 contra Dilma. Apesar do jeito autocrático de Putin, ele empolga setores da esquerda brasileira no enfrentamento do império e legitimamente, pois defende o seu território e seu povo.

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