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Novo governo

Trump suspende programa de refugiados e veta entrada de sírios

por Redação — publicado 28/01/2017 11h20, última modificação 29/01/2017 15h03
Acolhimento foi suspenso por quatro meses, mas refugiados sírios estão vetados por tempo indeterminado. Entrada de cidadãos de sete países também foi proibida
Mandel Ngan/AFP
Trump

Segundo Trump, objetivo das medidas é evitar a entrada de "radicais islâmicos" nos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu na sexta-feira 27 o programa de admissão de refugiados e anunciou um veto para viajantes procedentes de sete países de maioria muçulmana. 

Segundo Trump, o objetivo é evitar a entrada de “terroristas islâmicos” nos EUA. "Estou estabelecendo novas medidas de controle para manter terroristas radicais islâmicos fora dos Estados Unidos. Não os queremos aqui", declarou o presidente durante visita ao Pentágono, onde a ordem foi assinada.

"Queremos assegurar que não estamos acolhendo em nosso país as mesmas ameaças que nossos soldados combatem no exterior. Queremos admitir apenas aqueles que vão apoiar o nosso país e amar profundamente o nosso povo. Nunca vamos esquecer as lições do 11 de Setembro”, continuou o republicano.

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu implantar procedimentos "extremos" de controle. O decreto, intitulado "Protegendo a nação de atentados terroristas por estrangeiros", congela a admissão de refugiados de qualquer parte do mundo por quatro meses.

A entrada de refugiados sírios, contudo, classificada como “prejudicial” aos interesses dos EUA, está proibida por tempo indeterminado, até que sejam adotadas medidas que evitem o acolhimento de terroristas pelo programa.

O decreto também suspende, inicialmente por um período de três meses, a entrada de cidadãos do Iêmen, Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão, incluindo aqueles que têm residência permanente assegurada pelo "green card". A maioria desses países passa hoje por conflitos que têm o protagonismo de Washington.

No sábado 28, uma decisão da Justiça federal dos EUA bloqueou parte do decreto de Trump. Na decisão, a juíza Ann Donnelly proíbe temporariamente o governo de deportar cidadão dos sete países que possuam documentos válidos para entrar nos Estados Unidos.

O governo do Irã classificou o decreto como "afronta" e prometeu, em retaliação, impedir a entrada de cidadãos americanos no país.

A ordem assinada por Trump também reduz a meta de acolhimento de refugiados para 2017 de 110 mil para 50 mil. As medidas representam uma mudança radical do que era praticado pelos EUA. Criado em 1980, o programa federal de admissão de refugiados permitiu acolher cerca de 2,5 milhões de pessoas nas últimas décadas, segundo dados do instituto de pesquisas Pew.

Grupos defensores das liberdades civis e especialistas em combate ao terrorismo condenaram as ações anunciadas. Aliados de Trump, por sua vez, defendem as medidas como necessárias para evitar a entrada de membros da Al Qaeda ou do Estado Islâmico nos EUA.

Neste sábado 28, Trump assinou uma ordem executiva que concede um prazo de 30 dias aos militares para que apresentem um plano para derrotar o Estado Islâmico. A medida pode significar a mobilização de mais equipamento militar americano no Iraque e na Síria.