Justiça

Polícia Civil do DF instaura inquérito para investigar apreensão de arma de Bolsonaro com militar

A defesa alega que os seguranças do ex-presidente entregaram a arma ao militar em razão das “medicações psiquiátricas” que vinham sendo administradas a Bolsonaro

Polícia Civil do DF instaura inquérito para investigar apreensão de arma de Bolsonaro com militar
Polícia Civil do DF instaura inquérito para investigar apreensão de arma de Bolsonaro com militar
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, em 3 de setembro de 2025. Foto: Sergio Lima/AFP
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A Polícia Civil do Distrito Federal informou nesta quarta-feira 17 ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que instaurou um inquérito para apurar por que uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi encontrada com um militar durante uma blitz na capital federal. 

A apreensão do revólver – uma pistola Glock de 9mm – ocorreu na noite desta segunda-feira 15, por volta das 23h30, em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. Na ocasião, o sargento da PM-DF, Davi Evangelista Alves, conduziu o sargento do Exército, Estácio Leite da Silva Filho, à delegacia. 

Durante a abordagem, Estácio afirmou que integrava o Gabinete de Segurança Institucional e que trabalhava para Bolsonaro. Disse ainda que portava a arma em razão de sua função pública, que lhe permitiria o porte. Ele não apresentou, porém, o registro do armamento, o que foi tratado como irregularidade.

O policial responsável pela abordagem verificou que se tratava, de fato, de um servidor do GSI e que o veículo utilizado era oficial da Presidência da República. Segundo o boletim de ocorrência, ao constatar a ausência do registro da arma no local, o policial voltou a questionar o militar sobre a propriedade do item. Estácio respondeu que a pistola pertencia ao ex-presidente.

Na delegacia, o sargento afirmou que havia recebido o armamento após a identificação de uma pane aparentemente simples. Disse ter retirado a pistola em 15 de junho para reparar o percussor e que, concluído o serviço, a arma seria devolvida no dia seguinte. Após prestar depoimento, Estácio foi liberado.

Em manifestação enviada a Moraes, relator da execução penal de Bolsonaro, os advogados do ex-presidente afirmaram que, embora ele possuísse regularmente o armamento, “as medicações psiquiátricas que vinham sendo administradas” a ele, “capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”.

A defesa sustenta que Bolsonaro entregou a arma a Estácio apenas para manutenção. “A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção”, afirmaram os advogados. Eles também ressaltaram que, após a condenação do ex-presidente, não houve determinação judicial para entrega de armas, o que, segundo a defesa, afastaria qualquer “situação irregular” no porte do armamento.

Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar temporária. O prazo termina neste mês, e Moraes deverá avaliar a conduta do ex-presidente antes de decidir se mantém ou não o benefício.

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